4º Capítulo – A palestra que tinha tudo para dar errado!

Retornei a Escola Estadual Adão Seger. Minha escola. Fui recebido com todas as gentilezas pela Diretora Professora Márcia, que fora minha vizinha nos meus tempos de piazote. Falamos sobre livros e recordamos fragmentos da nossa infância. E, no meio da conversa ela me fez um convite para proferir uma palestra para alunos e professores. Levei o maior susto da paróquia com aquele convite inesperado. Viajei no tempo. Lembrei-me de minha fala naquela mesma escola há uns seis meses atrás no lançamento do livro. Pensei. Será que eu vou conseguir palestrar? Penso que ouvi, dentro de mim, uma voz que eu conhecia de outras ocasiões: Você é um péssimo orador e morre de medo de falar em público. A professora, porém, usou de sua sabedoria. Antes que eu falasse alguma coisa ela comentou: – Meu amigo, o seu livro, está sendo um sucesso aqui em Selbach. Você precisa perder o medo de falar em público. Virão outros convites e nada melhor que iniciar suas palestras aqui na sua cidade, na sua escola. Na nossa escola, melhor dizendo. Aceitei o convite. – Quando será a palestra? – Segunda feira. Às oito horas da manhã. Saí da sala da diretora pensativo e preocupado. E agora? Bem, agora só resta preparar a palestra e palestrar. Um belo problema para quem tem medo de falar em público. Fiquei uma semana preparando a minha fala. Aprendi com o Eroquês a fazer uma cola com as palavras-chaves. Pronto. Estava me sentindo preparado. E, isso passa segurança. Finalmente chegou o tão sonhado dia. Acordei cedo, preparei o meu chimarrão com todo cuidado, sem barulho, para não acordar os meus anfitriões: o Inácio e a Rosa. Depois do chimarrão, tomei café e, me dirigi até a escola. Cheguei. Estava lindo o local do evento. Era o auditório da escola. Muitas crianças já estavam a minha espera. Levei um susto. Estavam ali duzentos e sessenta e dois alunos e dez professores. Fui anunciado. Já de posse do microfone procurei por meus óculos que deveriam estar no bolso da camisa. Não estavam. – E agora? Como ler minha cola sem os meus óculos? O pânico chegou. As pernas fraquejaram. Pensei em várias coisas naquele momento. Pensei em Deus. Pedi ajuda. Fiz uma oração silenciosa. Percebi por uma das janelas que o dia estava lindo. Alguns raios de sol entravam pela janela. Acho que era a luz que eu havia pedido ao meu Deus. Ela me foi concedida. Estava ali, ao meu lado. Retomei a coragem e comecei a minha fala. Fala improvisada. Iniciei narrando uma passagem triste da minha vida. Uma história que não tinha nenhuma relação com o que havia sido programado. Deus me abençoou. Não eram minhas as palavras que saíram de minha boca. O tempo passou depressa. Passados os primeiros 15 minutos de aflição, relaxei, e a palestra, aí sim, fluiu naturalmente. Vi algumas lágrimas teimosas nos olhos de minhas antigas colegas de aula, e bem na minha frente, sentada na primeira fila, uma moça que aparentava ter uns quatorze anos de idade chorava copiosamente. Quase chorei junto. Consegui concluir a palestra, mesmo me repetindo algumas vezes. Todos me aplaudiram. No dia seguinte fui presenteado com um certificado pela Direção da Escola. No documento há o desenho de uma árvore cheia de potinhos, com frases carinhosas. Sua fala contagiou e emocionou a todos. Você plantou em nossos corações palavras de: Fé, alegria, bom humor, simpatia, coragem, entusiasmo e felicidade. Não fui eu que palestrei naquela manhã!

 

Na próxima semana o último capítulo.

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