Minhas Histórias Gerais

João Euclides Junges nasceu em Três Passos-RS. Quando tinha apenas três meses de vida seus pais deixaram a sua cidade natal. Fixaram residência na vila de Selbach. Ali viveu a sua adolescência. Desfrutou a sua mocidade em parceria com os jovens da cidade que os viu crescer. Residiu, na Cidade das Flores, até alcançar a maioridade. O destino, porém, resolveu ensinar-lhe o caminho dos andejos. Saiu de casa de maneira silenciosa, levando os seus pertences na mala velha do seu velho pai. Porto Alegre foi o primeiro marco de uma longa caminhada. Estava na Capital dos gaúchos com o coração apertado, carregando a mala velha cheia de sonhos. Foram oito anos em Porto Alegre, até quando seu espírito aventureiro lhe sugeriu novos ares. Em busca do seu horizonte, norteou as estradas do Brasil. Do Extremo Sul para o Extremo Norte. Do Chuí para o Caburaí. Trocou o vento Minuano pelo Cruviana. Trocou as coxilhas pelos lavrados. Era o dia 19 de janeiro de 1981. Estava em sua nova Pátria. Estava em Boa Vista, no estado de Roraima. Aqui na terra de Macunaima vivenciou a saudade que trouxe da estância de São Pedro. Porém, a sua saudade, um pouco desgastada pelo tempo, insistentemente, queria materializar-se. Mas, para que isso acontecesse, seria necessário que o aventureiro se tornasse escritor. A arte de escrever é franqueada para todos. O dom da escrita para poucos é concedido. Movido pela saudade, pelas lembranças e pela obstinada vontade de escrever, nasceu o sonho literário que hoje já está materializado. A História de um Desconhecido.

Muitos me perguntam – de que trata os livros? Vou me valer das palavras do escritor e poeta Eroquês, que foi quem prefaciou o livro Aventuras de Um Desconhecido:

São causos que levam o leitor a pensar nas inconseqüentes travessuras de um menino de interior. O livro provoca a falsa impressão de que a pretensão do autor é mostrar o lado cômico de uma história e de uma época. Parece ser exatamente assim, mas não é. O que verdadeiramente esta escrito, não são as enormes gargalhadas que ecoaram nas lonjuras do passado: o que aqui esta escrito, descreve o coração da saudade danificado pelo passar dos tempos. É a trajetória de uma vida, que sem querer, retrata a vida de tantos que um dia saíram do lugar de onde não pretendiam sair. É uma história de vivências que, se lidas e interpretadas corretamente, nos remetem aos tempos de outra época e, ao caminhar dela. A vila de Selbach, hoje cidade, tantas e tantas vezes aqui mencionada, receberá, em cada página do livro, a justa homenagem que o menino saudoso sempre quis lhe prestar. Conhecerá a manifestação carinhosa, quase infantil, do mocinho que saiu pelo mundo em busca do seu destino e, nunca mais pôde voltar. Cada uma dessas histórias, e muitas parecem estórias, foram escritas sob a proteção das lembranças e das distâncias. Em cada uma das narrativas, existe a evidente preocupação de relatar fielmente, lugares, fatos e pessoas, que de alguma forma fizeram parte, em um determinado momento, do escritor. Todas as situações por mais engraçadas que pareçam encerram e conduzem a uma lágrima disfarçada de sorriso. As travessuras infantis foram relembradas para relembrar os amigos que foram separados pelos desígnios da vida. Muitos deles lerão o livro, nas varandas do infinito. O escritor teve a competência de retirar tudo que estava armazenado em seu coração e espalhar pelos recantos do seu livro.

Já o livro Caminhando sobre os sonhos é mais um sonho realizado de dois escritores gaúchos, que o destino reuniu em Roraima. Embora pareça ser a continuação do livro Aventuras de um desconhecido, diferencia-se apenas pela maneira diferente de contar velhas e verdadeiras histórias. As brincadeiras dos meninos interioranos amadureceram no contexto de cada história. Os escritores também amadureceram com a trajetória dos livros. Colocamos o coração a disposição das palavras. São muitos os textos em destaque. Um texto recomendado que encerra o livro com chave de ouro é o texto “Na presença das ausências”, que além de relatar a realidade dos fatos e das personalidades, faz com que tudo e todos se confundam com o saudosismo e com a ficção. O livro tem o poder de tocar nossa alma e despertar sentimentos, como o texto, Um morador de rua, onde o Fox é o protagonista. O texto do Fox é o que melhor expressa nosso lado romancista. Infelizmente, perdemos o Fox. A morte chegou silenciosa deixando uma reflexão… As pessoas passam.Tudo passa. Os animais também passam. Podemos enaltecer também o prefácio maravilhoso do Pedro Henrique. Homenagem as mulheres é outra pérola literária. Os livros tem o poder de tocar nossa alma e despertar sentimentos que às vezes nem mesmo sabemos que temos. Os nossos amigos, e são muitos, estão construindo a nossa caminhada literária.

Venha se emocionar com a gente adquirindo os Livros Caminhando sobre os sonhos e Aventuras de um desconhecido. Pedidos aqui ou pelo telefone 095- 981123370 e 991462661.

Lançamento do livro Caminhando sobre os sonhos, em Selbach no Restaurante Huppes.

Entrevista sobre depresão

Ouça, abaixo, a entrevista cedida a Rádio Princesa FM de Selbach sobre o assunto depressão.

 

Do que tratam os livros

Do que trata os livros?

Euclides Junges

Vou me valer das palavras do Eroquês, que foi quem prefaciou o livro Aventuras de um desconhecido. Disse ele:
São causos que levam o leitor a pensar nas inconseqüentes travessuras de um menino de interior. O livro provoca a falsa impressão de que a pretensão do autor é mostrar o lado cômico de uma história e de uma época. Parece ser exatamente assim, mas não é. O que verdadeiramente está escrito, não são as enormes gargalhadas que ecoaram nas lonjuras do passado: o que aqui está escrito, descreve o coração da saudade danificado pelo passar dos tempos. É a trajetória de uma vida, que sem querer, retrata a vida de tantos que um dia saíram do lugar de onde não pretendiam sair. É uma história de vivências que, se lidas e interpretadas corretamente, nos remetem aos tempos de outra época e, ao caminhar dela. A vila de Selbach, hoje cidade, tantas e tantas vezes aqui mencionada, receberá, em cada página do livro, a justa homenagem que o menino saudoso sempre quis lhe prestar. Conhecerá a manifestação carinhosa, quase infantil, do mocinho que saiu pelo mundo em busca do seu destino e, nunca mais pôde voltar. Cada uma dessas histórias, e muitas parecem estórias, foram escritas sob a proteção das lembranças e das distâncias. Em cada uma das narrativas, existe a evidente preocupação de relatar fielmente, lugares, fatos e pessoas, que de alguma forma fizeram parte, em um determinado momento, do escritor. Todas as situações por mais engraçadas que pareçam encerram e conduzem a uma lágrima disfarçada de sorriso. As travessuras infantis foram relembradas para relembrar os amigos que foram separados pelos desígnios da vida. Muitos deles lerão o livro, nas varandas do infinito. O escritor teve a competência de retirar tudo que estava armazenado em seu coração e espalhar pelos recantos do seu livro.
Já o livro Caminhando sobre os sonhos é mais um sonho realizado de dois escritores gaúchos, que o destino reuniu em Roraima. Embora pareça ser a continuação do livro Aventuras de um desconhecido, diferencia-se apenas pela maneira diferente de contar velhas e verdadeiras histórias. As brincadeiras dos meninos interioranos amadureceram no contexto de cada história. Os escritores também amadureceram com a trajetória dos livros. Colocaram  o coração a disposição das palavras. São muitos os textos em destaque. Um texto recomendado que encerra o livro com chave de ouro é o texto “Na presença das ausências”, que além de relatar a realidade dos fatos e das personalidades, faz com que tudo e todos se confundam com o saudosismo e com a ficção. O livro tem o poder de tocar nossa alma e despertar sentimentos, como no texto, Um morador de rua, em que um cachorro o Fox é o protagonista. O texto do Fox é o que melhor expressa o  lado romancista dos escritores. Infelizmente, perdemos o Fox. A morte chegou silenciosa, deixou, porém, uma reflexão: As pessoas passam.Tudopassa. Os animais também passam. Homenagem às mulheres é uma singela homenagem aos seres que engrandecem a nossa vida. Podemos enaltecer também o prefácio maravilhoso do Pedro Henrique. Os livros têm o poder de tocar a nossa alma e despertar sentimentos que, às vezes, nem mesmo sabemos que possuímos. Os nossos amigos, e são muitos, estão construindo a nossa caminhada literária.

 

Resumo dos livros: Aventuras de um desconhecido e Caminhando sobre os sonhos. & comentários

AQUI TODOS PODERÃO LER UM RESUMO DO NOSSO  TRABALHO LITERÁRIO:

APRESENTAÇÃO DO AUTOR

João Euclides Junges nasceu em Três Passos, Rio Grande do Sul, em 5 de fevereiro de 1955, filho de Emílio Alberto Junges e Ana Hilária Junges. Com três meses de vida, seus pais se mudaram, fixando residência na vila de Selbach. Foi como um vento, não deu tempo de pensar. O vento só tem tempo de seguir e de rezar a própria prece, assim como o tempo que arrasta um caminho sem olhar para traz. Na longínqua mocidade pensava em ser grande e forte, queria que a vida lá na meninice passasse depressa. Queria ser adulto logo, era um tempo livre e feliz. Menino pobre, onde a única diversão em sua casa era um velho rádio. Sem muitas alternativas foi crescendo fazendo uma travessura atrás da outra. O Deus da sua inocência era mais que um amigo, um companheiro de todas as horas. Existe uma estrada comprida, que sempre nos leva embora. Um dia ele pegou um caminho sem volta, saiu fugido de casa, levando consigo uma mala velha, cheia de sonhos.

Porto Alegre foi o primeiro marco de uma longa caminhada. Foram oito anos de Porto Alegre, até quando seu espírito aventureiro lhe sugeriu novos ares. Trocou o vento Minuano pelo Cruviana. Trocou as coxilhas pelos lavrados. Era o dia 19 de janeiro de 1981. Estava em sua nova Pátria. Estava em Boa Vista, no estado de Roraima. O tempo foi passando e, um dia, por obra do acaso, o aventureiro tornou-se escritor. A arte de escrever é franqueada para todos. O dom da escrita para poucos é concedido. Movido pela saudade, pelas lembranças e pela obstinada vontade de escrever, nasceu o sonho literário que hoje já está materializado. A História de um Desconhecido com dois livros publicados: Aventuras de um desconhecido e Caminhando sobre os sonhos. Este último em parceria com o grande Poeta Eroquês Velho.

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Hoje revirando a minha saudade, abri algumas gavetas que estavam esquecidas nas lonjuras de outro tempo. Encontrei muitas lembranças dentro delas.

“Sempre que os poetas lembram as suas origens, chovem emoções em seus corações. Comigo não poderia ser diferente”

O NASCER DE UMA PARCERIA

Quando o destino resolve rascunhar os nossos caminhos, basta que a gente acredite para que tudo aconteça. Naquela manhã, aquele gaudério, que tantos haviam me dito que era um baita poeta e escritor estava parado na calçada da rua em que eu transitava. Precisava conversar com ele. Parei o carro. Conversa direta. Trago-lhe uns textos para a sua apreciação. Conversamos alguma coisa do nosso passado. Segui meu caminho vislumbrando pelo retrovisor que ele estava folheando os meus escritos. O destino acomodou-se ao meu lado. Estava sorrindo. Senti que naquele momento estava nascendo uma bela parceria.

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LIVRO AVENTURAS DE UM DESCONHECIDO/FRAGMENTOS…

 

DEPRESSÃO

Fiquei quase um ano em depressão. Vários acontecimentos motivados pela temível  doença modificaram o meu modo de viver. Perdi meus dois empregos. Pedi as contas na Loja Perin após vinte oito anos de trabalho. Pela Indústria Brinox fui demitido por falta de produtividade. A depressão apresenta uma tristeza diferente da habitual. É um transtorno psiquiátrico que afeta pessoas de todas as idades. Caracteriza-se pela perda do prazer nas atividades diárias. Reações emocionais terríveis tomam conta da pessoa depressiva. E, comigo, não foi diferente, acordava todos os dias no início da madrugada e não conseguia mais dormir. Sentia uma tristeza profunda acompanhada de insônia. Rolava na cama, esperando o tempo passar e a cabeça iniciar os trabalhos negativos. No auge da depressão eu só pensava no pior. Até que um belo dia, devido a imunidade baixa minha médica solicitou um exame de HIV. As pernas fraquejaram e, por um instante, eu perdi a voz. Ao retornar à minha casa, fui pesquisar sobre os sintomas da AIDS. Todas as minhas dores se relacionavam com a doença. A minha cabeça desmoronou. Eu tinha certeza que estava contaminado pelo HIV. Perdi completamente o valor do existir. O valor da vida. Naquele dia e, nos seguintes, eu só pensava em tirar a minha vida. Os dias foram passando. Tantas e tantas vezes peguei o envelope com o resultado do exame e não tive a coragem para abrir. O exame ficou três meses no meu guarda-roupa. Até que um acidente automobilístico, sofrido pelo meu filho Thiago, resolveu o meu problema para sempre. Foram só danos materiais, mas o suficiente para que eu criasse coragem e abrisse o exame. Quantas dúvidas cercaram-me no caminho da sala até o quarto. Peguei o envelope com as mãos trêmulas e o coração batendo bem forte. E ao abrir o envelope, a surpresa… Negativo para a amostra analisada!

Todo esse tempo enfrentando o sofrimento psíquico de maneira inquietante e profunda, um sofrimento mudo, adoecendo dia a dia. Um adoecer carregado de preconceito, discriminação, medo, solidão, incertezas…

Passados dez dias as doenças sumiram como num passe de mágica e, finalmente, a alegria voltou. Caminhei de volta pela minha vida. Retornei ao convívio das minhas coisas, das minhas reais preocupações. Agora, curado, olhei para o alto pedindo ao Pai Celestial outra atividade. Um outro emprego. A noite em um sonho recebi uma linda mensagem divina… – Escreve um livro guri! -. Deus aponta os caminhos e cabe a nós escolher  as estradas.

O texto na integra está na página 226 do Livro Aventuras de um desconhecido.

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“Ás vezes eu me belisco e olho para o Céu para me situar e agradecer. Obrigado Senhor pela vida. Quando as cordas da morte quase me levaram o Senhor foi o meu amparo. Todos os dias a primeira coisa que eu faço ao abrir os olhos é agradecer a Deus por estar vivo. Cada dia é um recomeço, é um renascimento. A vida é um milagre que se repete a cada novo amanhecer. Obrigado Senhor por estar ao meu lado quando eu mais precisei.”

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CHURRASCO DE CASAMENTO

Era um dia de sábado, inicio de noite, momento em que o sol se oculta no horizonte na direção oeste. Acho lindo uma noiva sair da igreja após ter dado o sim ao homem amado e poder apreciar o pôr-do-sol. Foi essa a visão que eu tive naquele final de tarde, ao passar em frente a igreja no exato momento em que os noivos deixavam a igreja pra se dirigir até o salão paroquial, pra confraternizar com os padrinhos e convidados. Enquanto a comitiva ia em direção ao salão de festas, me deu uma fome, já que havia um cheiro forte de churrasco no ar… Não me convidaram pra festa de casamento, não faz mal, mesmo sem convite não dava pra perder aquele churrasco…  Logo pensei no meu irmão… O Olavo Ratão era o cara certo pra me acompanhar no assalto a churrasqueira do casamento. Passei em casa pra pegar o meu irmão, ele como amante de uma sacanagem, prontamente concordou em me acompanhar naquela arte. No caminho da nossa casa até o salão topamos com o Valdir, que também aceitou o convite pra roubar churrasco… Quadrilha formada agora era só atacar…

Chegamos no maior silêncio escondidos atrás de uma arvore de cinamomo, próximo ao local da churrasqueira, prontos pra dar o bote. De onde estávamos dava pra ver os dois assadores preparando a churrascada…. Churrasqueira bem abastecida com carnes nobres tipo, picanha, maminha, costela e também carne suína. Passados uns trinta minutos da nossa chegada, o jantar começou a ser servido…  Adrenalina em alta, olhos atentos, aguardando o instante de atacar, não poderia haver falhas.

Assadores precavidos, enquanto um servia a carne no salão o outro vigiava a churrasqueira aguardando o retorno do colega, pra só depois entrar no salão com os espetos. Quando tudo parecia perdido eis que surge uma esperança…  Um deles resolve contar uma piada e o outro não para de rir, parece que a piada foi boa, já que finalmente os dois entram no salão ao mesmo tempo, era chegada a hora de atacar…

O texto na integra está na pagina 50 do livro Aventuras de um desconhecido.

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CARNAVAL NO IATE CLUBE

O carnaval é a festa popular mais importante do Brasil e também a mais aguardada. Eu sempre gostei de brincar o carnaval, teve uma ocasião em que eu e mais dois amigos articulamos uma maneira de brincar o carnaval no Iate clube sem pagar ingresso. O Paulo servia na Base Aérea de Boa Vista e morava lá em casa e o Javani é meu conterrâneo, recém chegado na cidade.

Primeiro definimos a fantasia… Sempre há dúvidas na hora de descobrir o que vestir no carnaval. Após muita polêmica ficou decidido que nós iríamos ao baile no Iate de short, terno e gravata, dispensando a calça cumprida, ficando nossa fantasia bem chamativa.

Chegamos no clube munidos de um gravador e uma carteirinha falsa de radialista. O Javani seria apresentado como radialista a serviço da rádio Difusora de Passo Fundo….

Entrar em um clube da elite sem pagar ingresso é pra poucos, teríamos que ser bons atores pra poder ludibriar o pessoal da bilheteria… Ao chegar em frente a bilheteria a sorte estava do nosso lado, demos de cara com o presidente do clube, um velho conhecido meu. Sem perda de tempo apresentei o Javani como radialista gaúcho incumbido de fazer uma matéria sobre o carnaval Roraimense, que posteriormente seria exibida na rádio Difusora de Passo Fundo.

Já dentro do clube iniciamos o trabalho de entrevistas, o primeiro a ser entrevistado foi o vice presidente e depois de entrevistar os anônimos e autoridades locais, chegou a vez do governador de Roraima, nem de longe ele desconfiou que aquilo tudo era uma encenação, acreditando piamente na veracidade da entrevista. O Javani se portou como um autentico repórter de rádio, fazendo as pessoas acreditarem na seriedade das matérias…  Cessadas as entrevistas é chegada a hora da diversão e pra matar a sede uma cerveja bem gelada, e com a latinha na mão eu me afastei dos amigos me deslocando até o lado externo do clube, a fim de dar uma respirada, e sem querer me afastei um pouco da  claridade parando em um labirinto, onde a escuridão era total. Envolto em meus pensamentos, escuto uma voz me chamando…

—-Euclides, é tu que tá ai ?

—-Sim sou eu…

—-Eu estou amassando uma gata, por favor me de cobertura se minha mulher aparecer.

Logo reconheci a voz do meu amigo…. Como eu devia alguns favores a esse camarada eu fiz o que ele me pediu, me afastando um pouco e indo de encontro a claridade…. Não demorou muito pra esposa dar o ar da graça…

—-Gaúcho, tu viu o meu marido ? ………

O texto na integra está na página 171 do Livro Aventuras de um desconhecido.

O Livro Aventuras de um desconhecido tem 239 páginas com 36 textos.

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LIVRO CAMINHANDO SOBRE OS SONHOS/FRAGMENTOS:

UM MORADOR DE RUA

Nesse mundo cruel em que vivemos estão cada vez mais comuns os chamados moradores de rua. Pessoas que não encontram lares, animais que não encontram abrigos. Pessoas desprotegidas, animais abandonados. Dois mundos completamente divergentes: o nosso e o deles. Mundos que se encontram e se afastam. Um deles farto de misérias sociais e o outro vazio de projetos humanos. Seres que são esquecidos ou se abandonam pelas periferias da vida. Seres que se consolam na própria dor. Seres que quando se encontram se perdem nos labirintos do existir.

Em Selbach não há moradores de rua. E, se houvessem, seriam bem cuidados. O povo da Cidade mais florida que conheço, além de generoso, é manso e humilde de coração. Mas, me disseram, que lá existe um morador de rua que é o dono delas. Um senhor absoluto das praças e dos jardins. Um morador que é querido por todos. Que é esperado, recebido, alimentado, festejado e protegido. Nas ruas ele é o rei dos galanteios. É dotado de uma beleza ímpar. Romântico por excelência. Dono de um olhar terno que a todos cativa. Talvez, valendo-se disso, tornou-se um conquistador predestinado. Poderia ser chamado de safado. Poderia ser rotulado por cafajeste. E, se não fosse o que é, poderia ser chamado de mulherengo. É como se ele fosse um sol cercado de estrelas apaixonadas. Todos gostam dele e ele parece gostar de todos. Dizem que ele já tem alguns filhos. E, que, estes, foram adotados por algumas famílias da sua cidade. Se ele falasse, com certeza, contaria uma história que muitos fazem questão de contar. Todos sabem um pouco dele. Ele é exemplar. Possui a determinação de um morador de rua que se tornou ilustre por sua trajetória de vida, pela sua educação, pelo seu respeito, pelo seu carinho, pela sua beleza, mas, e, principalmente, pela vontade de viver nas ruas. Demonstra um gosto especial pela liberdade. Tem regras e métodos próprios. Ele é o Fox. Simplesmente, Fox.

Disseram-me que foi assim:

Um morador pouco conhecido, provavelmente, trabalhador eventual, estava de mudança para outra cidade. Enviou a sua mudança em um caminhão fretado para o seu novo destino. A família foi na frente. Ele ficou para resolver os últimos acertos. Com ele ficou o seu melhor amigo. Não apenas um amigo, um parceiro, companheiro e confidente silencioso. O seu cachorro de estimação. O cachorro que lhe estimava, que lhe amava. Os dois foram vistos andando pelas ruas, apressados, resolvendo os últimos detalhes. Partiriam juntos. Chegariam juntos à nova morada. Mas o destino não quis assim. Ao chegar à rodoviária, no dia marcado, com a passagem na mão e, com o amigo embaixo do braço, apresentou-se para o embarque. Os dois estavam felizes. Na porta do ônibus aconteceu a tragédia. Não era permitido transportar animais. O senhor usou todos os seus argumentos para tentar levar o seu amigo, que poderia ter viajado no caminhão que fez a mudança. Não. Não e não. Dizem que o senhor chorou. Pediu. Implorou. Não pode. Dizem que ele beijou o seu cãozinho como alguém que beija a pessoa amada. Dizem que ele lambeu as lágrimas do seu amigo como alguém que estende um lenço na hora amarga do adeus. Os dois dilacerados pela dor se despediram. O senhor olhava pela janela tentando conter o próprio pranto. O cachorro subiu num banco para observar o amigo que partia. Não se sabe quem estava mais triste, se quem partiu ou quem ficou. O cãozinho ficou horas na rodoviária tentando acreditar que aquele seria o seu destino. Dizem que os animais não choram. Choram, as lágrimas deles saem do coração. Todos os dias ele vinha ver se o seu amigo estava lá. Não estava. Nunca mais estaria. E, assim, aos poucos, tornou-se um morador de rua. Começou escrever o seu destino com as tintas da saudade e das lembranças. Começou a fazer o que os habitantes de rua fazem: procurar comida e abrigo. Andava em torno da rodoviária, cheirava os ônibus, olhava para as pessoas. Ninguém o conhecia, ele não conhecia ninguém. Vencido pelo cansaço, pela espera, pela fome, resolveu reconstruir a sua vida. Saiu pelas ruas desafiando o seu próprio calvário……….

O texto na integra está na página 23 do livro Caminhando sobre os sonhos…. Texto muito elogiado. Eu chorei escrevendo, o Eroquês também chorou na redação e muitos que leram, também choraram.

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O JULINHO, A SANDRA E EU

No teatro da minha vida protagonizei alguns dramas, alguns romances, algumas peças amargas e, muitas, e divertidas comédias. Uma comédia que não me sai da lembrança aconteceu no Colégio Julio de Castilhos de Porto Alegre, foi mais ou menos assim:

No primeiro dia de aula cheguei mais cedo e pude escolher o melhor lugar para assistir as aulas. E, aí, o destino começou a escrever uma de suas peças. Quem pediu licença para sentar ao meu lado foi simplesmente a moça mais linda da sala. A dupla estava formada…

Os dias foram passando e nossa amizade ganhando proporções perigosas. Houve um dia em que a professora teve de sair mais cedo, deixando a turma aos meus cuidados. Fui escolhido porque minhas notas de matemática eram todas nota 10. Aquela simples aula de matemática aumentou minha autoestima e me aproximou ainda mais da minha colega. A Sandra tinha dificuldades em matemática e sugeriu que lhe desse aulas particulares lá no meu Apto. Ficou combinado que o nosso estudo seria sempre aos sábados. E, assim, pontualmente, às 14 horas de sábado a Sandra apertava a campainha do Apto. Trancados ficamos cúmplices das nossas vontades. A ela ensinei as teorias matemáticas. A mim ela ensinou as teorias do amor. Mesmo vivendo eternos momentos, felizes, dentro daquela matemática sensual, havia um problema a ser resolvido. E o problema chegou. Nunca fomos visitados durante o horário da nossa aula habitual de matemática. Naquele sábado a campainha tocou insistentemente… Era o namorado.

– Sandra, você tem batom na bolsa?

– Tenho sim, pega aqui. O que você vai fazer?

– Fique calma, encontrei a solução para o problema.

Passei batom nos lábios e na face. Depois fui receber o moço na maior alegria. Tentei me parecer com um travesti. Eu acabara de me tornar um rapaz alegre, ou seja, uma bichona. O valentão mordeu a isca e eu me saí ileso daquela aula sensual de matemática.

Gostaram? O texto na íntegra está na página 106 do livro Caminhando sobre os sonhos.

O LIVRO Caminhando sobre os sonhos tem 223 páginas com 28 textos.

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São livros de fácil leitura. O Eroquês e eu colocamos a alma e o coração na ponta do lápis. Todos os textos são baseados em fatos reais. Personagens que se fizeram presentes na trajetória das vidas que aqui são retratadas.

Em Boa Vista as entregas serão efetuadas em local indicado pelo nosso leitor. Para os leitores de outros estados enviaremos pelo Correio.  Pedidos aqui, em minha página no Facebook, ou pelos telefones (95) 99146 2661 e 98112 3370.

OPINIÃO DOS LEITORES:

Roberta Silva Demorou mas chegou ! Obrigado pelo livro. João Euclides Junges

A leitura ta sendo divertido padrinho!

Reinaldo Marques Filho Lí o livro inteiro.Gostei muito.Parabéns meu amigo.

Rosa Malheiro Li o seu livro amigo…muito bom …me acabei de rir com as artes q vcs aprontavam …rsrsrsrs. ..muito bom mesmo…felizzzzzzz por vc ter superado seus medos, angústia, enfim por vc estar vivo, e com saúde. ..parabéns de coração. …abraço.

Neiva Zanatta Oi Euclides ! Parabens pelo sucesso do teu livro. Acompanho todas as noticias sobre voce, prometo que vou publicar uma foto com o Fritz ( ele não gosta de tirar foto, eh uma dificuldade , acho que depos de aprontar tantas na juventude hoje ele prefere o anonimato, kkkkkkkkkkk). Seria isso ? Estou lendo o teu livro. Abraço.

Rosa Anilia Almeida Interessante que li seu livro de forma diferente: curiosa fui para o final, depois fui lendo suas aventuras aleatoriamente. A cada título uma peripécia. Hoje mesmo estava pensando: será que vamos ler “aventuras de um desconhecido – volume 2”?

Thiago Junges Concordo com o filho do seu amigo, o livro ta massa, tbm tenho muito orgulho do senhor pai, continue assim buscando sempre fazer o melhor

Tere Birk Rhoden Voce escreve de uma forma muito agradável, é bom de ler, flui. estou esperando o proximo livro. Parabéns amigo.

Carolinny Souza Que lindo!senti uma coisa inesplicavel,uma coisa muito boa,uma felicidade,alegria por voce escrever lindas histórias!!Parabéns

Antonio Carlos Hoff Vale a pena ler os textos do Euclides. São cheio de historias que muitos devem ter vivido em suas realidades.

Luciano Ferreira Costa o mais legal das histórias de um desconhecido??? que suas historias são muita parecidas com as nossas ou de algum… conhecido. ótima história. ótimo livro. merece uma sequência

Sulijane Queiroz O primeiro livro é excelente Já estou ansiosa na espera do segundo livro… Sucesso

Gilberto Ely MARAVILHA Rs; Euclides..Escritor!!! é um orgulho ter um amigo tão inteligente e com uma memória incrível para colocar no papel a sua infância e a coragem de falar e escrever…..o primeiro livro simplesmente é uma obra de arte Euclides e quem não comprou dá tempo ainda….estou ancioso para ler as aventuras do segundo livro…terceiro etc..mais uma vez meus parabéns e continua nesse espírito show de bola um grande abraço aqui de selbach do teu amigo GILBERTO

Cristina Cofferri quem não se identificou com alguma das travessuras de João Euclides Junges?? Então não percam o lançamento da 2ª edição!!!

Edson Bittencourt ocridi, quase eu chóru, rsrsrs abrçs e parabéns

Paulo Lotário Junges

Acabei de ler o seu “aventuras de um desconhecido”. Ri muito. O livro me transportou de volta para o final dos anos 60 e início dos 70, na minha pequena Alpestre que, semelhantemente à sua Selbach, tinha um grupo escolar, um ginásio estadual, uma praça central, uma casa canônica com uma empregado do padre brava, uma quadra de futebol de salão, e, nós, todo o tempo do mundo para viver aventuras em tudo semelhantes às que relatas no livro. Aliás, no conceito de minha mãe, nós éramos artistas, segundo ela nossas aventuras eram artes. Obrigado pelo presente.

Marcio Muller Parabéns Clides, teu livro ficou show, histórias tristes e outras engraçadas, estava lendo uma história por dia para não acabar logo, já estou esperando o segundo livro e dessa vez quero um autografado, antes que tu ocupe uma cadeira na Academia Brasileira de Letras….grande abraço e sucesso nesta nova obra literária.

Tere Thomas

caro primo parabéns pelo teu livro e pela coragem de escrever eu li e gostei

Mauro Lazaro Fernandes

João Euclides, a leitura do seu livro foi muito agradável. Tu eras um capeta. Uma coisa surpreendente em seu livro, a foto da pagina 130 do time do Banco Safra. Sabes quem é o gordinho, atrás do Nairo? É meu irmão o Mauri Luiz que trabalhava no banco na época, junto com o Sergio Leismann que aparece na foto. Pena que perdi meu irmão faz muitos anos. Um abraço.

Maria Inês Maldaner Werlang Parabéns Clides,gargalhei em vários trechos ,chorei em outros pois lembro muito bem dos meus vizinhos ,queridos e atentados,sua casa foi para mim um lugar de muitas boas lembranças da infância,adorei ler sua história…

Maria Reis Obrigada! Estou adorando. .. vc era muito travesso…kkkkkk

Joao Marcelo Junges PARABENS PELA OBRA PRIMO, MUITO BOA, RECOMENDO

Lucimar Praia Praia Amigo seu livro e’ ótimo

Gabi Lima histórias hilárias e memoráveis!!!! Parabéns! Recomendo ótima leitura!!!

Chico Dalla Santa muito bom o livro-cada dia leio uma história-na época era o acontecimento.muita sacanagem. Abraço

Adriana Staudt Euclides, nosso exemplar do seu livro chegou essa semana. Devo estar na metade do livro ou quase. Estou adorando e minha vontade é de comprar alguns e dar de presente para algumas pessoas e meus irmãos. Parabéns pela sua dedicação e humildade em descrever de maneira pura as “safad ldade em descrever de maneira pura as “safadezas” de sua infância! O resultado foi excelente!!! É uma pena que os jovens de hoje não poderão escrever suas histórias, pois a maioria delas seria em quartos ou salas, em frente a televisão ou games eletrônicos..

José Paulo Follmann João Euclides Junges, recebi o livro hoje. Gostei do que li até agora. Naquele assalto às uvas do Maltona Pebi eu estava junto. Que susto quando os pais foram intimados para irem a Tapera… Abraço e sucessos.

Leontina B. Junges felicitaciones por el libro!! vivan los junges!!! pero recuerda que muchos nos volvimos a encontrar en Brasil y en Argentina hace unos años!!! y fue muy emocionante!!!!

Marilza Melo Não sou amiga de infância, mas tive o privilégio de ter conhecido e me tornado sua amiga numa fase além da infância. Não tive a oportunidade de ler o seu livro, mas acredito que com o potencial que vc tem, só pode ser um livro de qualidade e com uma bela história. Parabéns! Um abraço!

Maria Lourdes Bohn Kuhn Agora as pessoas, vão saber das façanhas, que esses meninos aprontavam . As mães, ficavam de cabelo em pé.ahah!!

Cristina Cofferri Gente ,comprem e leiam é muito engraçada as histórias!!!!muito bom esse livro….

Andre Aldeone Muito bom o livro tio, pessoal não deixem de comprar a obra do senhor João Euclides Junges, pense em um livro bom de se ler, parabéns tio João Euclides e muito sucesso na sua nova caminhada de escritor!!!

Altamiro Vilhena O livro do João Euclides Junges é muito bom e estou recomendando para todo mundo. Bem escrito, bem revisado, divertido e emocionante, vale a leitura. Um ótimo investimento!!!

Amanda Junges Parabéns tio! Ainda não li todo o livro, porque esqueci em Ibirubá. Mas tá muito bom. Sucesso sempre.

Marlise Huppes Parabéns Amigo, Teu livro esta sendo muito elogiado.Sucesso……..

Eline Portillo Parabéns querido vizinho!!! Mto bom seu livro. Me diverti demais! Sucesso pra vc e que venha o próximo!

Decio Neto Show de bola Juca

Pedro Moellmann Bonita festa, livro muito bom já estou terminando de ler. Abraços

Eroquês Velho Feliz pela obra, engrandecido pela participação, vaidoso pelo amigo. Gracias.

Fernando Antonio Quintella Ribeiro Momentos importantes para todos nós. Sucesso ao livro. Abraços

Paola Falcão Foi muito bom!!! Sucesso, que venha a 2° EDIÇÃO.

Alice Maria Schneider muito bom o livro !!! adorei !!!

Lucia Puhl Muito bom deu livro comprei ele no mercado do Hupppes não li ele todo não li ele todo ainda mas, me lembrei da minha vizinha tia como meus filhos chamavam ela. Desejo td de bom pra vc. Abraço.

Dillon Bitencourt

João, eu já havia lido partes do teu livro, por isso não posso dizer que fiquei surpreso; ele é, realmente, muito bom. Dá uma idéia bastante clara da Selbach de tua época, mesmo para quem não a conhece. Espero que haja continuação

Deus aponta os caminhos e cabe a nós escolher as estradas…

João Euclides Junges

 

Adquira sua palestra

Venho aqui divulgar e oferecer a minha palestra.

A palestra aborda dois temas: Depressão e Literatura. Num passado recente eu tentei o suicídio por três vezes, e nas três tentativas eu fracassei. Inicio a palestra contando como foram essas minhas tentativas.

O Deus de minha fé  nunca permitiu que eu cometesse essa loucura. Ele sempre evitou o pior. E, como agradecimento, eu prometi a Ele, ajudar as pessoas de alguma maneira. A maneira que encontrei para ajudá-las é através de minha fala. “Um grito de alerta”- Vencendo a ideia do suicídio através da escrita.

Para eu conhecer o assunto com mais profundidade, li bons livros e conversei bastante com pessoas envolvidas de alguma maneira com a temática. Depois de muito pesquisar, cheguei à conclusão, que o suicídio é um erro grave que não resolve as angústias de ninguém. O corpo se acabará, mas a alma e o espírito continuarão sofrendo.

Ainda temos algumas datas disponíveis para os meses de junho e julho. As entidades que estiverem interessadas nos meus relatos,  poderão agendar diretamente comigo através dos telefones: (95)  98112 3370 e 99146 2661.

Se eu conseguir salvar uma vida com minha fala já valeu a pena, mas se eu conseguir salvar muitas vidas, aí então, o objetivo foi plenamente alcançado.

“As palestras são gratuitas mediante a aquisição de 10 livros”.

 

Mais um trabalho literário

 

Grito de Alerta (Praça dos Meus Sonhos)

A PRAÇA DOS MEUS SONHOS

Boa Vista se destaca pelo traçado urbano organizado de forma radial. Planejada no período entre 1944 e 1946 pelo engenheiro civil Darcy Aleixo Derenusson, lembra um leque, em alusão às ruas de Paris. Foi construída no governo do Capitão Ene Garcez, o primeiro governador do então Território Federal do Rio Branco. As principais avenidas da cidade convergem para a Praça do Centro Cívico, onde se concentram as sedes dos poderes: executivo, legislativo e judiciário estaduais, além dos pontos culturais. Destacam-se, ainda, o teatro Carlos Gomes, o Palácio do Governo, o hotel Aipana, os bancos da Amazônia e do Brasil, os Correios e a Catedral Diocesana. Na época pensaram em tudo, inclusive, no traçado das praças.

Numa definição bem ampla e de domínio popular, praça é qualquer espaço urbano livre de edificações e que propicia recreação para seus usuários. Em todos os lugares, se bem cuidadas, as praças quase sempre são ajardinadas, arborizadas e oferecem comodidades aos visitantes. Algumas, como aqui em Boa Vista, oferecem restaurantes, lojinhas e locais para a prática de esportes. A Praça das Águas é a principal e a mais charmosa das praças existentes em Boa Vista. Tem seu início justamente no traçado urbano projetado pelo arquiteto Darcy Aleixo.

Mas minha praça preferida, dentre tantas, é a Praça dos Bambus. Não é a mais charmosa, nem a mais bonita e nem a mais frequentada. Porém, foi ela que marcou a minha vida para sempre. Era lá que eu buscava refúgio quando me sentia triste, quando estava amargurado, quando não sabia que rumo seguir. Aquela praça era o meu porto seguro. O lugar do meu reencontro comigo mesmo.

Na fase mais crítica da minha depressão a Praça dos Bambus estava em reforma e, sem acesso à população. Foi devido a essa interdição que passei a frequentar a Praça das Águas. Praça muito aconchegante, moderníssima, bem localizada e, por tantos atributos, a mais frequentada pela população de Boa Vista. Inúmeras vezes, me dirigi, àquela praça, para decidir, quando sair dessa vida e como fazê-lo. Pensei até em abandonar este mundo, exatamente no meio da praça.  Mas logo percebi que seria inviável. Eu iria macular a beleza daquele ambiente com um ato que em nada dignificaria minha passagem por ali. A praça não merecia atos extremos e nem atentados dessa natureza. O grande fluxo de pessoas indo e vindo também não favorecia àqueles meus pensamentos vazios. As praças são lugares para celebrar a vida, não para mudar a vida de lugar.

Muitas vezes, à noite, sentava-me no banco daquela praça olhando para o horizonte com o meu olhar vazio e perdido, com os meus pensamentos que pouco pensavam e me perguntava: Qual o verdadeiro sentido da vida? Porque quero tirar a minha vida? Sentado naquele banco da praça eu era um ser fragilizado e com minha autoestima sem estima nenhuma. Não sentia prazer nas coisas que via, na verdade, eu só queria estar em outro lugar, em outro mundo. Eu havia me fechado para o sentido da vida, sem perceber que a vida é uma estrada sempre aberta.

Hoje, quando volto à praça, penso que o real sentido da vida é muito mais que filosófico. A vida é o propósito da existência humana. E, lembro do tempo em que eu me questionava: O que estou fazendo aqui na praça? Fugindo do quê? De quem? Se por onde eu andar a tristeza estará ao meu lado. Talvez, penso hoje, eu tivesse uma pequena esperança de que a praça resolvesse os meus problemas, curando a minha depressão. Se naquela época, num dos meus momentos de tristeza, lá na praça, passasse alguém, um alguém qualquer e me dissesse: “Dentro de instantes vai partir um avião e vai cair logo ali. Você quer ir?” Claro que eu embarcaria. Abreviaria o que eu estava tentando encontrar de outras maneiras.

Lembro que as pessoas que frequentavam a praça passavam por mim, alegres, antenadas, no celular, ouvindo suas músicas preferidas pelo fone de ouvido. Eu ficava apenas olhando para as pessoas, querendo que alguém, quem quer que fosse, me perguntasse: “Você está bem”? Por mais que eu quisesse isso, ficava ouvindo vozes que pareciam me dizer: “Você precisa morrer”. Você precisa abandonar este mundo. Me pareciam vozes muito fortes. Muito convincentes. Era muito difícil lutar contra elas. Ninguém me notava. Ninguém percebia que eu estava ali. Ninguém poderia ouvir o meu pedido silencioso de socorro. Acho que o certo mesmo era que eu, não queria ser notado. Nada mais me dava prazer. O que mais me encantava, dentre poucas coisas, era o Pôr do Sol. Era para mim um momento mágico. Aquele Pôr do Sol parece que me aguardava para ser visto. Parece que falava comigo. Como ele é lindo em Boa Vista, visto, principalmente, com os encantos da Praça das Águas.

Quando a gente está triste demais não vê prazer em quase nada. Eu não conseguia encontrar uma luz no final do túnel. Eu não conseguia sair do túnel que criei para mim mesmo usufruir. E, lá dentro é muito escuro. Naquela vontade de não ter vontades o meu maior objetivo era o de chegar ao final da vida. Depois daquele Pôr do Sol, chegava a hora de retornar para casa. E, voltava com passos amargos, inconsequentes, conversando com a minha inseparável amargura. Voltava sem saber por que voltava. Voltava porque segui o meu instinto. Mas, eu não encontrava um porquê?

Num dia desses li, não recordo onde, que a morte é uma opção pessoal e ninguém tem nada com isso. Hoje eu tenho saberes que me fazem discordar. Porém, naquela época eu também pensava da mesma maneira. Acredito agora que a vida é o maior presente que Deus nos concede. Entre o nascer e o morrer existe um espaço que é de nossa responsabilidade.

Fiquei quase um ano em depressão. É muito tempo. A Praça dos Bambus, a minha praça predileta, ficou um ano e nove meses em reforma. Também foi muito tempo. No dia 15 de abril de 2016 a Praça foi reinaugurada. Ela e eu estávamos renovados. Ela e eu reconstruídos. Ela e eu com as nossas feridas cicatrizadas.  Viver é recordar diz um certo adágio popular. Então, voltarei no tempo, para recordar como eram os encontros com a minha namorada, naquela praça. Ah! Como é bom namoro na praça! Como é bom conversar com a pessoa amada sem prestar atenção no tempo e namorar. São coisas simples, fascinantes e misteriosas, que as praças nos proporcionam. Nossos encontros sempre aconteciam ali. Lugar que me recorda momentos ternos. Paisagens que me mostram um olhar apaixonado e apaixonante. Bancos que me lembram as carícias medrosas do sempre querer um pouco mais. Era ela a praça dos nossos sonhos, das nossas recordações e, também, do nosso primeiro sonho, do nosso primeiro desejo, do nosso primeiro beijo.
Fecho os olhos e volto ao ano de 1983. Porém, hoje, curado da depressão, me deparo com a responsabilidade de escolher as palavras certas para descrever o que vivi naquela noite, observado por um cavalheiro estranho que nos observava. Chegamos à praça sorrindo e felizes, como chegam os casais apaixonados. E ali aconteceu o nosso primeiro beijo. Beijo inocente com a candura e a pureza da primeira vez. Estávamos sós naquele lugar amoroso dentro de uma noite escura, carente de lua cheia, mas generosa de boas e belas intenções. De repente diante de nós estava um cavalheiro andarilho. Nos olhava com profunda admiração e respeito. Parece que sabia de memória os caminhos do amor. Foi ele quem testemunhou nosso primeiro beijo.

Hoje, passados tantos anos, retornei à praça, sentei-me no mesmo banco e, olhei para o horizonte imaginando, secretamente, se ele, o velho andarilho, estaria ali num cantinho da praça prestando atenção em mim. Meu desejo era que ele estivesse ali. Não estava. Nunca mais estaria. Nem ela estaria. Como ele, também, não estará. O andejo se foi e com ele se foi a pessoa daquele primeiro beijo. E, penso no amor. E, penso, que as praças são locais onde a vida se expressa livremente. Onde as pessoas podem manifestar livremente as suas tristezas ou as suas alegrias. Onde os amores acontecem e onde as amizades se perpetuam.

A minha depressão não está mais comigo. O cavalheiro andarilho desapareceu no encanto e na magia que a vida e as praças proporcionam. A moça do primeiro beijo seguiu por outros caminhos. Porém, a praça dos meus sonhos permanece no mesmo lugar, remoçada e linda, recebendo os novos casais de namorados e presenciando os primeiros beijos ardentes dos eternos apaixonados. O meu banco predileto está lá no mesmo lugarzinho. Quando eu quero conversar com a minha saudade encontro, naquele recanto, o túnel do tempo onde as minhas melhores lembranças se escondem. É assim que volto a sonhar, de vez em quando, na Praça dos Bambus, a praça dos meus melhores sonhos.

Essse texto faz parte do novo livro que será lançado no mês de setembro de 2017.

 

 

O livro Grito de Alerta

APRESENTAÇÃO DO LIVRO

Durante o “Setembro Amarelo” do ano passado (2016), o João Euclides, foi convidado para oferecer depoimentos e palestras sobre a sua experiência relativa ao tema proposto: a depressão e os seus desdobramentos. Os relatos do Euclides, por serem reais, agradaram às diversas plateias em diversos locais públicos, acadêmicos e escolares. A convivência com escritores, artistas, com as autoridades sobre o tema e com as pessoas que desejavam, também, relatar as suas experiências, gerou uma pergunta: Por que vocês não fazem um livro direcionado a essa problemática?

A sugestão foi, no início, muito mais do que um simples desafio. Tratava-se de uma bela e desafiadora proposta literária. Porém, com uma temática definida, abrangente, de domínio público e trazendo dentro dela um forte apelo social. Não sabíamos, até então, que depressão é uma doença. Nem imaginávamos a quantidade de pessoas que estão adoecidas e não buscam tratamento pela falta de diálogo, de saberes e de conhecimentos. É diferente contar estórias para as pessoas rirem e acharem engraçado, do que descrever as lágrimas e os sofrimentos dos que em silêncio e solitários, choram. É diferente escrever sobre um tema amplamente debatido pela comunidade científica e por pessoas responsáveis sobre as ações sociais e humanitárias que são empreendidas constantemente. Tema muito diferente para mim, porém familiar para o Euclides. Aceitamos o desafio.

Com a causa definitivamente abraçada precisávamos estudar com profundidade o tema. Necessitávamos conhecer os nossos limites literários e de pesquisa, para não adentrar em searas que não nos fossem permitidas. E, assim, conversamos com pessoas voluntárias e especializadas; com pessoas que sofrem a doença e, com pessoas que tratam a doença. Nos aconselhamos com clínicos, psicólogos, psiquiatras, enfermeiras, farmacêuticas e, nos cercamos de bons livros sobre o tema: A depressão.

Elaboramos a partir daí a parte relativa à construção do livro, ou seja, a parte literária, a maneira de abordar o assunto e, principalmente, como faríamos a pesquisa. Dentre tantos livros que precisávamos ler, e muitos foram os livros lidos, o de Michel Thiollent, 2004, sobre a pesquisa-ação, em que se ouve e analisa grupos sociais ou individualidades desse grupo, com a finalidade de apontar os problemas e transformá-los em discussão, amparou a nossa proposta literária e a nossa definição do que escrever e de como pesquisar. Devido a quantidade de pessoas que se propuseram a colaborar conosco, decidimo-nos pela fidelidade desses relatos. Conversamos e ouvimos, a partir de então, inúmeras pessoas que nos relataram as suas experiências de como adquiriram a depressão, de como conviveram com o problema, e, até, de algumas que obtiveram a cura por si mesmas.

Assim o livro nasceu. Livro que não pretende discutir a parte médica, nem a parte clínica e, muito menos ainda, a farta literatura científica que existe de maneira comprovada. A pretensão é apresentar os relatos, gentilmente concedidos, e responsavelmente selecionados. Todas as camadas sociais foram contempladas. Também, nos prestigiaram, pessoas de todas as idades e de todos os segmentos étnicos. Até porque a doença não discrimina as pessoas que se encontram em seu campo de atuação. As pessoas se permitiram e, nos permitiram, falar abertamente sobre as maneiras em que a depressão se manifestou nelas. Todos os nossos colaboradores demonstraram o mesmo objetivo: alertar, ainda mais, aos profissionais e às entidades que são responsáveis por cuidar dessas pessoas e dessa doença. Algumas, dessas pessoas, preferiram o anonimato; responsavelmente preservamos. Outras franquearam a história como nos foi contada, apenas acrescentamos os reparos literários que julgamos necessários e as opiniões cabíveis para a elaboração final de cada texto.  A experiência vivida pelo João Euclides fundamentou a nossa discussão e amparou o modelo de redação utilizado por nós. Temos, portanto, um livro que não discute a cientificidade do problema depressão, mas que apresenta causas e consequências da doença no seu nascedouro sem teorizá-las.

O livro para facilitar a dinâmica de pensar os textos, foi dividido em duas partes: na parte inicial os textos que mantêm as características de pensar e de escrever do João Euclides; na segunda parte os textos que abrigam à minha maneira de pensar e de escrever.

Embora haja um tema em destaque, mas não delimitado, o livro traz curiosidades sobre outros assuntos e curiosidades que caminharam ao lado das causas e das consequências da doença e dos personagens. A diferença deste livro para os anteriores é que aqueles eram constituídos de causos e de comédias; este é composto de relatos sobre vivências e experiências.

Tudo o que há no livro foi feito em parceria. Parceria com a editora, com os diversos profissionais que nos ajudaram no projeto, com os amigos que nos aconselharam e nos motivaram e com o apoio familiar, principalmente. Tudo foi discutido com pessoas capacitadas que disponibilizaram sabedorias e vivências que nortearam a confecção final do livro. Tudo foi amparado pela existência do problema e por pessoas que vivem ou viveram ao lado da depressão.

Transformamos o livro num Grito de Alerta.  Fugimos do lado frio das estatísticas e dos estudos científicos, para relatar o lado humano manifestado por si mesmo. Esse lado humano que não sabe como e onde buscar ajuda; esse lado humano que sente vergonha de sentir-se doente; esse lado humano que não tem idade, sexo, raça ou credo; esse lado humano que se esconde nos labirintos existenciais de todos nós; esse lado humano que estuda, analisa e estabelece caminhos sociais, clínicos e humanitários para tantas pessoas. Pois, é esse, o lado humano que levaremos em nossas futuras palestras, porque esse lado humano que busca respostas para o problema se tornou, de agora em diante, o nosso GRITO DE ALERTA.

Édison Eroquês Daniel Velho

 

Roraima TV: escritor da região sul lança livro de aventuras em Boa Vista

Obra ‘Aventuras de um desconhecido’ é realização de um sonho do autor


Autor fala que o livro é a realização de um sonho antigo (Foto: Roraima TV)

O escritor João Euclides Junges lançou o livro “Aventuras de um desconhecido” em Boa Vista e a equipe do Roraima TV conversou com o autor para saber mais sobre o lançamento da obra autobiográfica.
Segundo Junges, o livro é a realização de um sonho antigo e relata várias histórias vividas desde a infância do escritor. A mensagem que ele deixa para os leitores é que procurem escrever cada vez mais.
(Confira a história no vídeo abaixo)

*** Vídeo em breve

*Notícia de 10/10/2014.

Fonte: http://redeglobo.globo.com/redeamazonica/tv-roraima/noticia/2014/10/roraima-tv-escritor-da-regiao-sul-lanca-livro-de-aventuras-em-boa-vista.html