O livro Grito de Alerta

APRESENTAÇÃO DO LIVRO

Durante o “Setembro Amarelo” do ano passado (2016), o João Euclides, foi convidado para oferecer depoimentos e palestras sobre a sua experiência relativa ao tema proposto: a depressão e os seus desdobramentos. Os relatos do Euclides, por serem reais, agradaram às diversas plateias em diversos locais públicos, acadêmicos e escolares. A convivência com escritores, artistas, com as autoridades sobre o tema e com as pessoas que desejavam, também, relatar as suas experiências, gerou uma pergunta: Por que vocês não fazem um livro direcionado a essa problemática?

A sugestão foi, no início, muito mais do que um simples desafio. Tratava-se de uma bela e desafiadora proposta literária. Porém, com uma temática definida, abrangente, de domínio público e trazendo dentro dela um forte apelo social. Não sabíamos, até então, que depressão é uma doença. Nem imaginávamos a quantidade de pessoas que estão adoecidas e não buscam tratamento pela falta de diálogo, de saberes e de conhecimentos. É diferente contar estórias para as pessoas rirem e acharem engraçado, do que descrever as lágrimas e os sofrimentos dos que em silêncio e solitários, choram. É diferente escrever sobre um tema amplamente debatido pela comunidade científica e por pessoas responsáveis sobre as ações sociais e humanitárias que são empreendidas constantemente. Tema muito diferente para mim, porém familiar para o Euclides. Aceitamos o desafio.

Com a causa definitivamente abraçada precisávamos estudar com profundidade o tema. Necessitávamos conhecer os nossos limites literários e de pesquisa, para não adentrar em searas que não nos fossem permitidas. E, assim, conversamos com pessoas voluntárias e especializadas; com pessoas que sofrem a doença e, com pessoas que tratam a doença. Nos aconselhamos com clínicos, psicólogos, psiquiatras, enfermeiras, farmacêuticas e, nos cercamos de bons livros sobre o tema: A depressão.

Elaboramos a partir daí a parte relativa à construção do livro, ou seja, a parte literária, a maneira de abordar o assunto e, principalmente, como faríamos a pesquisa. Dentre tantos livros que precisávamos ler, e muitos foram os livros lidos, o de Michel Thiollent, 2004, sobre a pesquisa-ação, em que se ouve e analisa grupos sociais ou individualidades desse grupo, com a finalidade de apontar os problemas e transformá-los em discussão, amparou a nossa proposta literária e a nossa definição do que escrever e de como pesquisar. Devido a quantidade de pessoas que se propuseram a colaborar conosco, decidimo-nos pela fidelidade desses relatos. Conversamos e ouvimos, a partir de então, inúmeras pessoas que nos relataram as suas experiências de como adquiriram a depressão, de como conviveram com o problema, e, até, de algumas que obtiveram a cura por si mesmas.

Assim o livro nasceu. Livro que não pretende discutir a parte médica, nem a parte clínica e, muito menos ainda, a farta literatura científica que existe de maneira comprovada. A pretensão é apresentar os relatos, gentilmente concedidos, e responsavelmente selecionados. Todas as camadas sociais foram contempladas. Também, nos prestigiaram, pessoas de todas as idades e de todos os segmentos étnicos. Até porque a doença não discrimina as pessoas que se encontram em seu campo de atuação. As pessoas se permitiram e, nos permitiram, falar abertamente sobre as maneiras em que a depressão se manifestou nelas. Todos os nossos colaboradores demonstraram o mesmo objetivo: alertar, ainda mais, aos profissionais e às entidades que são responsáveis por cuidar dessas pessoas e dessa doença. Algumas, dessas pessoas, preferiram o anonimato; responsavelmente preservamos. Outras franquearam a história como nos foi contada, apenas acrescentamos os reparos literários que julgamos necessários e as opiniões cabíveis para a elaboração final de cada texto.  A experiência vivida pelo João Euclides fundamentou a nossa discussão e amparou o modelo de redação utilizado por nós. Temos, portanto, um livro que não discute a cientificidade do problema depressão, mas que apresenta causas e consequências da doença no seu nascedouro sem teorizá-las.

O livro para facilitar a dinâmica de pensar os textos, foi dividido em duas partes: na parte inicial os textos que mantêm as características de pensar e de escrever do João Euclides; na segunda parte os textos que abrigam à minha maneira de pensar e de escrever.

Embora haja um tema em destaque, mas não delimitado, o livro traz curiosidades sobre outros assuntos e curiosidades que caminharam ao lado das causas e das consequências da doença e dos personagens. A diferença deste livro para os anteriores é que aqueles eram constituídos de causos e de comédias; este é composto de relatos sobre vivências e experiências.

Tudo o que há no livro foi feito em parceria. Parceria com a editora, com os diversos profissionais que nos ajudaram no projeto, com os amigos que nos aconselharam e nos motivaram e com o apoio familiar, principalmente. Tudo foi discutido com pessoas capacitadas que disponibilizaram sabedorias e vivências que nortearam a confecção final do livro. Tudo foi amparado pela existência do problema e por pessoas que vivem ou viveram ao lado da depressão.

Transformamos o livro num Grito de Alerta.  Fugimos do lado frio das estatísticas e dos estudos científicos, para relatar o lado humano manifestado por si mesmo. Esse lado humano que não sabe como e onde buscar ajuda; esse lado humano que sente vergonha de sentir-se doente; esse lado humano que não tem idade, sexo, raça ou credo; esse lado humano que se esconde nos labirintos existenciais de todos nós; esse lado humano que estuda, analisa e estabelece caminhos sociais, clínicos e humanitários para tantas pessoas. Pois, é esse, o lado humano que levaremos em nossas futuras palestras, porque esse lado humano que busca respostas para o problema se tornou, de agora em diante, o nosso GRITO DE ALERTA.

Édison Eroquês Daniel Velho

 

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